Marcelo
Gervilla Gregório
INTRODUÇÃO
O exame de espirometria apresenta
algumas características que o diferem de outros exames diagnósticos. O seu resultado
depende e varia amplamente com a técnica de execução, equipamento empregado e
principalmente com a colaboração e compreensão do paciente.
O exame bem realizado é aquele
executado com técnica adequada, aparelho preciso e acurado, e através de manobras
reprodutíveis e aceitáveis por parte do paciente.
O perito deverá conhecer os
princípios para análise destes parâmetros e julgar se as conclusões obtidas pelo exame
são fidedignas e com valor legal.
EQUIPAMENTOS
A American Thoracic Society definiu
há mais de dez anos quais seriam os critérios de validação dos equipamentos de
espirometria, porém, em nosso meio, equipamentos inadequados continuam sendo
comercializados e utilizados com diversas finalidades.
Os aparelhos mais utilizados são
aqueles com sensores de fluxo de pressão diferencial. O pneumotacógrafo medirá o fluxo,
e a medida do volume será obtida por integração.
Estes aparelhos deverão ser
calibrados duas vezes por dia para manter a acurácia das medidas.
O resultado deverá ser expresso de
forma gráfica fluxo x volume, e volume tempo. O resultado expresso apenas de forma
numérica não tem valor para análise.
O aparelho deverá ser acurado, ou
seja, medir os volumes com exatidão, e ao mesmo tempo preciso, o que significa exibir
resultados concordantes entre os resultados de medidas realizadas nas mesmas condições
em curtos intervalos de tempo.
QUALIDADE DO
PESSOAL
Todos os exames deverão ser
supervisionados por médico, de preferência, pneumologista, com Titulo de Especialista em
Pneumologia conferido pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Só o
médico responsável poderá assinar os laudos dos exames. Os técnicos são responsáveis
pela execução do exame e calibração do aparelho. A SBPT realiza periodicamente cursos
de espirometria e provas para título de técnico em espirometria. Ao fazer análise de
uma espirometria, o perito deverá observar quem executou e quem emitiu o laudo do exame.
TÉCNICA DE EXAME
-
Todo paciente deverá ser pesado e
medido em uma balança de precisão, uma vez que os valores previstos para aquele
indivíduo baseiam-se nestas medidas. Muitos exames com resultado de restrição podem
decorrer do erro de medida da altura, elevando os valores previstos;
-
O exame deverá ser feito com o
paciente sentado;
-
O Início deverá abrupto e sem
hesitação;
-
Esforço expiratório máximo, e
com esforço expiratório máximo;
-
Duração de pelo menos 6 segundos;
-
Número de testes: No mínimo três manobras reprodutíveis em cada fase;
No máximo 8 tentativas, com suspensão de teste se não preencher os
critérios;
-
Os testes deverão ser
reprodutíveis. Os dois maiores valores de VEF1 e CVF, não deverão diferir em mais de
200 ml;
-
Os sistemas de espirometria
informatizados mostram estes critérios automaticamente;
-
Artefatos que deverão estar
ausentes: Tosse no primeiro segundo,
vazamento, obstrução da peça bucal, manobra de valsalva e ruído glótico.
APRESENTAÇÃO DE
RESULTADOS
-
Tipo e marca do equipamento;
-
Equações de previstos utilizada;
-
Comentários sobre aceitação e
reproducibilidade;
-
Algoritmo de interpretação
adotado;
-
Classificação dos distúrbios e
sua gravidade;
-
Apresentação gráfica das
manobras; e
-
Registro da calibração (data e
hora)
INTERPRETAÇÃO
DO EXAME
O exame de espirometria permite o
registro de vários volumes e fluxos com importância variada.
A interpretação completa de um
exame exige conhecimento de fisiologia e mecânica respiratória, doenças pulmonares e
sobretudo de espirometria.
Os parâmetros de interpretação
abaixo descritos não têm a pretensão de ensinar como se faz o laudo de um exame, e sim
fornecer os parâmetros principais em que este se baseia.
-
Capacidade vital forçada (CVF):
O seu resultado será expresso em valores absolutos e em percentual de predito. Quando
estiver abaixo de 80% do previsto, na presença de VEF1/CVF normal, sugere distúrbio
restritivo. A confirmação pode ser feita através da medida da "capacidade pulmonar
total" Na impossibilidade destes métodos, os achados radiológicos compatíveis com
doença restritiva associados a redução de capacidade vital forçada confirmam a
hipótese.
-
Volume expiratório forçado
cronometrado de primeiro segundo(VEF1): O VEF1 avalia basicamente os distúrbios
obstrutivos. Quando a CVF estiver diminuída por distúrbios restritivos ele diminuirá
proporcionalmente.
-
Relação VEF1/CVF: A razão
entre estas duas medidas é a que melhor avalia a presença de distúrbios obstrutivos. O
valor esperado para determinado indivíduo deriva da equação escolhida. Para indivíduos
com até 45 anos espera-se o valor de 75% ou superior. Abaixo deste valor o diagnóstico
de obstrução é sugestivo e deverá ser definido através da análise paralela de outros
valores como FEF25-75, VEF1 e outros fluxos terminais.
OUTROS
TESTES ESPIROMÉTRICOS ÚTEIS NO DIAGNÓSTICO DE ASMA OCUPACIONAL
-
Função pulmonar antes e
após jornada de trabalho
Três padrões de resposta:
Resposta = Queda de 10% no VEF1
-
Imediata com deterioração
progressiva durante o dia.
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Tardia, começando algumas horas
após o início da jornada, ou mesmo após o seu término.
-
Redução fixa, sem recuperação
de um dia para o outro.
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Registros prolongados de
pico de fluxo
O registro é feito por uma semana
de trabalho seguido por 10 dias de afastamento, e mais duas semanas de trabalho
Dois padrões de deterioração:
Resposta = Queda de 10% no VEF1
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Diária, caracterizada por
recuperação da função nos finais de semana.
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Semanal, caracterizada pela
recuperação após vários dias de afastamento.
-
Provocação brônquica
inespecífica
Teste realizado com carbacol,
metacolina ou histamina.
Nestes testes o paciente inala doses
progressivos de substâncias capazes de induzir broncoespasmo. Os indivíduos portadores
de hiperreatividade brônquica são aqueles que apresentam broncoespasmo com doses menores
que a população normal. A resposta positiva é caracterizada quando ocorre queda de 20%
no valor de VEF1.
Provocação brônquica
específica
Método não disponível
em nosso meio, aonde o trabalhador sofre exposição artificial ao agente
específico suspeito em ambiente laboratorial
LEITURA RECOMENDADA:
-
Diretrizes para teste
de função pulmonar
-
Jornal de Pneumologia
Volume 28 - suplemento 3 - out 2002.
-
I Consenso Brasileiro
sobre Espirometria
Jornal de Pneumologia, volume 22,
número 3. Mai/Jun 1996
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