ASMA OCUPACIONAL


DEFINIÇÃO

Obstrução variável das vias aéreas causada pela exposição, no ambiente de trabalho, à poeiras, gases, vapores ou fumos, excluindo os casos de broncoconstricção reflexa, desencadeada em indivíduos com asma pré-existente.

 

ENTIDADES DISTINTAS

  1. Síndrome de disfunção reativa das vias aéreas: Asma que se desenvolve após exposição acidental a altos níveis de gases irritantes como cloro, amônia, fumaça e fumos.

  2. Bissinose: Obstrução reversível das vias aéreas causada pela exposição a poeira de algodão, cânhamo e linho, em indivíduos não asmáticos.

 

INCIDÊNCIA

  • 7 a 15% DOS ASMÁTICOS ADULTOS;

  • Estima-se mais de 1000 casos novos por ano;

  • Pneumopatia ocupacional mais freqüente, seguida pela silicose.

 

AGENTES CAUSADORES

  1. Alto peso molecular: Produtos animais, vegetais e enzimas biológicas

  2. Baixo peso molecular: Químicos orgânicos, inorgânicos e agentes terapêuticos

 

FATORES PREDISPONENTES

  1. Tabagismo

  2. Atopia

  3. Hiper-reatividade brônquica

 

FISIOPATOLOGIA

  1. Broncoconstricção reflexa: Desencadeada pela inalação de material particulado, gases irritantes, vapores ou ar frio.

  2. Broncoconstricção inflamatória aguda: Síndrome de disfunção reativa das vias aéreas desencadeada pela exposição acidental a altas concentrações de gases irritantes e vapores como ácido clorídrico, dióxido de enxofre e fumos de combustão.

  3. Farmacológica: Ação anticolinesterásica dos organofosforados; Disocianato de tolueno (TDI); Bissinose.

  4. Broncoconstricção alérgica: Mecanismo mais importante da asma ocupacional.
    Os agentes ocupacionais como proteínas, polissacarídeos, e peptídeos induzem resposta alérgica pela formação de IGE e IGG.
    Os compostos de baixo peso molecular se combinam com proteínas, formando haptenos.

 

DIAGNÓSTICO

  • História clínica e ocupacional

  • Testes cutâneos e sorológicos

  • Testes de função pulmonar

 

HISTÓRIA CLÍNICA E OCUPACIONAL

O quadro clínico pode ser típico composto por dispnéia e chiado no peito, porém a apresentação pode ser apenas tosse e expectoração
Pesquisar o tipo de exposição, intensidade e freqüência
Pesquisar cronologia em relação à jornada de trabalho e aos dias da semana.
Analisar tempo de latência:

  • animais de laboratório: 

  • isocianato: 2 anos

  • farinha/ /madeira: 10 anos

 

TESTES CUTÂNEOS E SOROLÓGICOS

Resultados positivos indicam apenas sensibilização. Podem ocorrer em indivíduos não asmáticos.

  1. Testes cutâneos com inalantes comuns: Caracteriza o estado atópico.

  2. Testes cutâneos com agentes ocupacionais: Útil na asma por químicos de alto peso molecular, antibióticos, anidridos, aminas e metais.

  3. Anticorpos IGE RAST específicos: Útil para químicos de baixo peso molecular como anidridos e isocianatos.

 

TESTES DE FUNÇÃO PULMONAR

Diagnóstico da asma

  1. Prova de Função pulmonar com prova Farmacodinâmica (Broncodilatador).

  2. Teste de Broncoprovocação com Carbacol (Inespecífico)

  3. Testes de função pulmonar


Estabelecimento do nexo causal

  1. Função pulmonar antes e após a jornada de trabalho.

  2. Registros prolongados de PICO DE FLUXO.

  3. Testes de broncoprovocação inespecífica (carbacol).

  4. Testes de broncoprovocação específica.

 

FUNÇÃO PULMONAR ANTES E APÓS JORNADA DE TRABALHO

Três padrões de resposta: Resposta = Queda de 10% no VEF1.

  1. Imediata com deterioração progressiva durante o dia;

  2. Tardia, começando algumas horas após o início da jornada, ou mesmo após o seu término;

  3. Redução fixa, sem recuperação de um dia para o outro.

Registros prolongados de PICO DE FLUXO: O registro é feito por uma semana de trabalho seguido por dez dias de afastamento e mais duas semanas de trabalho.

 

DOIS PADRÕES DE DETERIORAÇÃO

  1. Diária, caracterizada por recuperação da função nos finais de semana;

  2. Semanal, caracterizada pela recuperação após vários dias de afastamento.

 

PROVOCAÇÃO BRÔNQUICA INESPECÍFICA

Alguns casos de asma ocupacional podem ter testes normais. Quando presente ela se reduz progressivamente por meses após o afastamento, sendo máxima a recuperação em dois anos.

 

PROVOCAÇÃO BRÔNQUICA ESPECÍFICA

Método trabalhoso, demorado, que exige internação do paciente, para monitorização contínua do paciente, devido ao risco de reações tardias de forte intensidade.

 

PROGNÓSTICO

60 a 94% dos pacientes persistem com os sintomas mesmos quando afastados por um período superior a seis anos.

Fatores relacionados:

  1. Tempo de início dos sintomas;

  2. Função pulmonar no momento do diagnóstico; e

  3. Grau de HRB momento do diagnóstico.

 

CONDUTA

  • Considerar o trabalhador incapacitado de modo permanente para o trabalho que envolve a exposição àquele agente;

  • Readaptação funcional sem perda salarial;

  • Reavaliar o grau de incapacidade em dois anos; e

  • Tratamento farmacológico adequado.

 

PREVENÇÃO

  • Controle ambiental dos processos industriais;

  • Análise admissional criteriosa;

  • Valorização de queixas relacionadas à asma em indivíduos expostos;

  • Rápida análise diagnóstica; e

  • Intervenção terapêutica precoce.