CURIOSIDADES

 

A VERDADE SOBRE AS BOMBINHAS

Especialistas revelam que boa parte dos 16 milhões de brasileiros asmáticos ainda deixa de utilizar o principal medicamento de combate ao problema por medo ou tabu

Companhia inseparável de nove entre dez asmáticos, a bombinha ainda não é considerada uma amiga fiel. O problema não está no alívio dos sintomas, que costuma ser imediato e uma bênção para qualquer um que já tenha vivido uma crise de asma. Segundo os especialistas. Velhos mitos sobre a segurança do medicamento são os responsáveis pela desconfiança dos pacientes. “São medos ligados a reações adversas e dependência que não tem qualquer fundamento científico”, garante José Roberto Jardim, professor de Pneumologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A asma é uma doença respiratória crônica que atinge pessoas de todas as idades. O problema é causado por uma inflamação nos brônquios, provocando sintomas como falta de ar; chiado no peito e tosse seca. A bombinha é considerada o meio mais eficaz de tratamento há pelo menos 20 anos porque a droga atinge diretamente as vias respiratórias. Para se ter uma idéia, enquanto comprimidos e xaropes levam meia hora para fazer efeito, a inalação consegue a mesma resposta em até cinco minutos.

O remédio, no entanto, provoca um efeito colateral que costuma assustar os pacientes: a taquicardia. Isso acontece porque a substância usada no medicamento é um broncodilatador que aumenta o fluxo sanguíneo para o coração, acelerando os batimentos. Por esse mesmo motivo, asmático pode ter também pequenos tremores. “Isso é uma reação normal. Ninguém vai ter um infarto por conta da bombinha”, diz Yara Mello, presidente da Regional paulista da Sociedade Brasileira de Asmáticos.

Em relação à dependência, o que pode acontecer com algumas pessoas é uma espécie de vício emocional. Não se trata de uma necessidade do organismo de obter substância como nos dependente químicos. Nesse caso, o asmático tem tanto medo de uma nova crise que usa a bombinha mesmo quando está perfeitamente bem. “Alguns pacientes encaram o produto como uma bengala, pensando que vão resolver a crise”diz Alberto Cukier; professor de Pneumologia da Faculdade de Medicina da USP . “Como qualquer outro medicamento, o uso abusivo faz mal, completa.

 

MITO

Ao quebrar o tabu sobre a utilização da bombinha, os médicos não querem favorecer qualquer laboratório farmacêutico. Ao contrário. A idéia é garantir aos 16 milhões de brasileiros asmáticos uma forma de controlar essa doença que é a terceira causa de internações no país.”A asma não tem cura e usar corretamente a bombinha é uma forma de dar uma boa qualidade de vida ao paciente”, lembra o pneumologista Kenndy Kirk, consultor do Ministério da Saúde para o assunto .

Um exemplo do que o medo infundado pode fazer ao doente? De acordo co Yara, muitos pacientes procuram desesperados o hospital durante a crise, mesmo sabendo que poderiam ter evitado o problema utilizando o medicamento . “Essa pessoa não sabe que estará tomando na inalação do hospital exatamente a mesma substância que tem em casa”, completa Jardim.

Segundo ele, em uma crise, o asmático pode fazer duas inalações a cada 10 minutos durante oito ou nove vezes. “Esse procedimento pode reduzir o número de internacões e a procura nos pronto-socorros”, lembra. Mesmo assim, antes de usar o remédio é necessário conversar com o médico. “Só ele poderá saber quando um efeito colateral significa um risco para o asmático”, conclui Jardim.