PLANOS E ESTRATÉGIAS DA INDÚSTRIA FUMAGEIRA

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Em 2001, a Organização Panamericana de Saúde – OPAS encomendou uma pesquisa sobre documentos, até então secretos, das duas principais indústrias fumageiras na América Latina e Caribe: a Philip Morris International (PMI) e a British American Tobacco (BAT). A pesquisa foi coordenada pela pesquisadora brasileira Stella Aguinaga Bialous, cujo resultado final em espanhol recebeu o título de: LA RENTABILIDAD A COSTA DE LA GENTE: actividades de la industria tabacalera para comercializar cigarillos em América Latina y el Caribe y minar la salud pública, publicado pela OPAS, em novembro de 2002. Este documento mostra com clareza e inúmeros detalhes como a indústria fumageira planeja e executa estratégias para manipular governos e organizações, com adesão dos meios de comunicação; como patrocinou e utilizou de pesquisas com resultados suspeitos, inclusive no Brasil, para tornar a questão da poluição tabágica ambiental menos importante, e como manipula a propaganda e a comercialização de seus produtos, estimulando inclusive o contrabando. Entendemos que pela gravidade destas atuações o problema extrapola a questão saúde pública e pela falta de ética, ficam os fabricantes e distribuidores de cigarros bastante próximos dos narcotraficantes. Considerando a importância do tema sugerimos a leitura do referido texto que resumimos a seguir.

O único objetivo da indústria fumageira, tanto nas Américas como no resto do mundo, é vender cigarros, sem levar em conta os enormes custos que isto acarretará para os fumantes seus familiares e a sociedade em geral. Todas as empresas tratam de promover as mercadorias que produzem, porém os cigarros são os únicos que por sua composição podem levar a morte quando usados na forma prevista pelo fabricante. Para comercializar e vender seus produtos, a indústria fumageira trabalha para conseguir que a dependência ao tabaco seja socialmente, em um contexto livre de limitações legais e regulamentares. Para manter sua rentabilidade, as empresas fumageiras têm criado vários objetivos a curto prazo e estratégias a longo prazo, muitos dos quais são descritos em seus documentos internos até então secretos.

Por outro lado, em todo o mundo as autoridades sanitárias têm confirmado que existe uma relação causal entre a poluição tabágica ambiental, mais conhecido como tabagismo passivo, exposição passiva à fumaça do tabaco, e diversos transtornos deletérios para a saúde, como cardiopatias, acidentes e  cerebrovasculares  câncer de pulmão e dos seios paranais em adultos, e infecções do ouvido médico, asma, bronquite e pneumonia em crianças de 1 a 7 anos de idade. Este consenso científico vem se firmando nos últimos 20 anos e a cada dia que passa adquire mais solidez. Em conseqüência, vários organismos mundiais de saúde, incluindo a OPAS, tem considerado prioritário reduzir a exposição dos não fumantes ao fumo do tabaco, mediante a criação de políticas que asseguram um meio ambiente livre do fumo do tabaco.

Salientamos que as empresas fumageiras utilizam diversas formas para promover comercialmente não só a venda de seus produtos para as próximas gerações de jovens, como também de embelezar sua imagem. Distintas estratégias são empregadas para aproveitar a liberdade de comércio tanto quanto possível. Como já mencionamos, os produtos do tabaco são os únicos artigos de consumo legal que matam os consumidores quando se usam exatamente como indicado pelos fabricantes.

A venda ilegal de cigarros está aumentando em todo o mundo e se calcula que cerca de um terço das exportações mundiais anuais de cigarros não se faz por canais legais de distribuição.

Os pesquisadores concluíram que os documentos examinados proporcionam uma visão das estratégias da indústria fumageira na região da América Latina e Caribe, demonstrando tratar-se de uma indústria econômica e politicamente muito influente, cujos esforços permanentes para destruir as medidas de saúde pública, muitas vezes são alcançados.Os documentos ta,bem demonstram que o negócio do tabaco é tanto uma luta coordenada contra a saúde pública e a regulamentação governamental, como uma disputa entre fortíssimos competidores Pelo domínio de mercados específicos. Conhecer as orientações e táticas utilizadas para destruir as iniciativas na questão saúde pública fortalecerão os Esforços governamentais, os defensores do controle do tabagismo e o público em geral para reduzir o consumo do tabaco na América Latina e o Caribe.

Caros colegas, a título de esclarecimento venho lembrar-lhes que a portaria do Ministério da Saúde nº 1575, datada de 29-08-2002, oficializa que as secretárias Estaduais de Saúde deverão estar disponibilizando gratuitamente as medicações utilizadas no tratamento do tabagismo. Entretanto pata isto, o centro de tratamento deverá estar devidamente credenciado pelo INCA. 

Carlos Alberto de Assis Viegas
Presidente da Comissão de Tabagismo - SBPT